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segunda-feira, 5 de abril de 2010

TAVITO conta TUDO ao Penninha


Natural de Belo Horizonte (26 de janeiro de 1948), o cantor e compositor mineiro Tavito (Luís Otávio de Melo Carvalho) começou sua trajetória profissional no princípio da década de 70 na banda Som Imaginário (Zé Rodrix, Robertinho Silva, Wagner Tiso, Luís Alves, Naná Vasconcellos e Fredera). A banda foi criada primeiramente para acompanhar o cantor e compositor Milton Nascimento no show “Milton Nascimento, ah, e o Som Imaginário”. O grupo passou por várias mudanças de formação e lançou três discos. O disco Matança do Porco contou com os vocais de Milton.

Tavito se tornou nacionalmente conhecido pelos seus dois grandes sucessos: Rua Ramalhete (com Ney Azambuja) e Casa no campo (com Zé Rodrix). Ele ganhou seu primeiro violão aos 13 anos. Autodidata, começou a participar de serenatas e festas. Foi companheiro de geração de Milton Nascimento e de outros músicos mineiros, tais como Toninho Horta, Tavinho Moura e Nelson Ângelo. Em 1965 conheceu Vinicius de Morais, que apreciou seu estilo e o convidou a participar de suas apresentações na capital mineira.

Tavito produziu discos de Marcos Valle, Renato Teixeira, Selma Reis e Sá & Guarabyra. Ele ficou sem realizar espetáculos entre 1992 e 2004, época em que se dedicou às composições, aos arranjos e à publicidade. Em 2009 lançou o CD Tudo.

Há um bom tempo ele não vê com bons olhos o mercado musical e a carreira de músico como algo promissor. Tudo isso por conta da banalização da arte musical.

1. TAVITO, GOSTARIA QUE VOCÊ FALASSE UM POUCO SOBRE O CD “TUDO”

O CD tem o nome que deveria ter; ele representa a leitura fiel das várias fases de uma vida meio longa, vivida com muita intensidade e atenção nos aprendizados. Digo no texto inscrito na contracapa que é um exame global de minha trajetória, feito através das lentes por onde eu me via aos vinte anos , em meio aos saltos mortais da juventude. O resultado é que os princípios estão lá – intactos.

2. VOCÊ REGRAVOU “RUA RAMALHETE” MAIS PRA LEMBRAR OS BONS TEMPOS? OU PRA MOSTRAR ÀS NOVAS GERAÇÕES UMA MÚSICA QUE MARCOU ÉPOCA?

Rua Ramalhete é uma canção muito marcada pela temática universal de seus versos. Todos os seres humanos, homens e mulheres, sem exceção, carregam dentro de si sua própria Rua Ramalhete. Vi uma boa oportunidade de me apresentar aos mais jovens fazendo um remix de atualização. Quem não tinha ouvido, agora ouvirá. Fiz a mesma coisa com “Aquele beijo”, outra canção muito significativa em minha vida.

3. SUA MÚSICA MANTÉM UMA RAIZ COMS OS ANOS 70 E AS PARCERIAS COM O ZÉ RODRIX OU VOCÊ JÁ ASSIMILOU AS NOVAS INFLUÊNCIAS?

Sou um cara de mil e uma influências. Isso porque sou publicitário, um confortável plano B profissional. Quem mais me marcou como influência não é quem parece. Sou um produto direto de minha própria avidez musical. No meu show, você ouvirá muito Rock’n Roll, mas também ouvirá baladas, canções, boleros, tangos e até hinos de futebol. Sem tragédias.

4. COMO É O SEU CONTATO COM O PESSOAL DO CLUBE DA ESQUINA?

Somos amigos, sempre. Somos interligados por um grande projeto artístico, talvez o mais rico que esse país atarantado já viu. Modéstia às favas, claro.

5. VOCÊ TEM PARCEIROS AQUI EM MINAS GERAIS? QUAIS OS SEUS PARCEIROS AQUI EM MINAS?

Tenho uma canção a doze mãos com o Bituca e os parceiros do Som Imaginário, chamada “Bolero”, gravada no disco “Matança do Porco”. Afora essa, nunca compus nada com meus amigos do Clube da Esquina. Infelizmente.

6. ATUALMENTE VOCÊ VIVE EM SÃO PAULO... POR ISTO VOCÊ TRABALHA MAIS COM O PESSOAL DAÍ?

Engano. Meus parceiros são de São Paulo, Rio, Recife, Curitiba, Fortaleza, Brasília e BH. Morei em BH 20 anos e no Rio toda a vida. Moro em Sampa apenas há quatro anos.


7. VOCÊ DESENVOLVE ALGUM TRABALHO COM O SONEKKA, DO CLUBE CAIUBI DE COMPOSITORES?

Nós temos alguns sonhos e projetos comuns, sim. Nunca compusemos nada, talvez por eu ser um letrista bissexto, aplicado em minhas próprias composições – e por ele não ser letrista.

08. O QUE VOCÊ ACHA DAS NOVAS TECNOLOGIAS COMO A INTERNET? ELAS AJUDAM A DIVULGAR MAIS OS TRABALHOS DOS ARTISTAS?

Essas novas plataformas de interação são um verdadeiro achado para agilizar contatos e obter resultados setorizados de mídia antes impossíveis de serem obtidos. Mas é necessário cautela, pois existe um forte processo de banalização em curso. Quando você é pouco exigido, sua tendência é o relaxamento estético. Você vê: se os militantes da MGB (Música Grossa Brasileira) já eram pra lá de perniciosos sem a internet, com ela tornaram-se avassaladores.

09. EU TENHO 02 PARCEIROS DE MÚSICA QUE INTERAGEM COMIGO PELA INTERNET... VOCÊ ACHA QUE COMUNIDADES COMO O CLUBE CAIUBÍ VIERAM PRA FICAR E AJUDAM O TRABALHO DOS ARTISTAS E COMPOSITORES?

O Clube Caiubi, brilhante idéia nascida há 8 anos dos miolos privilegiados do Sonekka, do Vlado Lima, da Lis Rodrigues, do Ricardo Soares, do Álvaro Cueva e de alguns mais, é uma das iniciativas mais brilhantes para objetivar e respaldar um núcleo de compositores e suas canções, díspares e desequilibradas entre si, mas construídas dentro de um padrão de honestidade e seriedade raras vezes visto. Com o site de relacionamento, multiplicou geométricamente seu potencial, contando hoje com uns cinco mil associados. Meu querido Zé Rodrix foi quem me apresentou ao movimento – e hoje me considero um deles, na boa.



10. O QUE VOCÊ ACHOU DE SABER QUE A SUA MÚSICA É TOCADA AQUI EM MONTES CLAROS, TERRA DO BETO GUEDES? VOCÊ GOSTARIA DE VIR TOCAR AQUI EM MONTES CLAROS?

Como já disse aí acima, o Beto é meu querido amigo. Fico feliz em ser tocado nas rádios da região. Conheço Montes Claros desde a adolescência, pois fiz parte de uma das hordas de maus estudantes de BH que vinham tirar seu diploma de segundo grau na cidade (economizávamos dois anos de estudo com essa manobra). O Sá, meu parceiro de vida, é casado com uma montes-clarense (é assim que se diz?) e sempre me dá as notícias das montanhas do norte. Se eu gostaria de tocar em Montes Claros? Mas é claro...

MÚSICAS MAIS FAMOSAS

1. A Ilha
2. A Nossa Casa
3. Aquele Beijo
4. Casa no campo
5. Começo, Meio e Fim
6. Cowboy
7. Cravo e Canela
8. Jamais Jamais
9. Longe do Medo
10. Naquele tempo
11. O Rio
12. Pé de vento
13. Reza
14. Rua Ramalhete
15. Simpatia
16. Sou eu
17. Você me Acende (You turn me on)


Entrevista a José Geraldo Mendonça Júnior - Penninha

José Geraldo Mendonça Júnior ou Penninha, como é conhecido literariamente, nasceu em Montes Claros (MG). É economista, poeta e agitador cultural em Minas Gerais.

http://www.onorte.net/noticias.php?id=26877

25/03/2010 - 10h34m

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Revista Ritmo & Melodia entrevista TAVITO

A Revista Ritmo & Melodia desse mês traz uma entrevista exclusive de Tavito para Antonio Carlos da Fonseca Barbosa:

O cantor e compositor mineiro Tavito (Luís Otávio de Melo Carvalho) começou sua trajetória profissional no princípio da década de 70 na banda Som Imaginário (Zé Rodrix, Robertinho Silva, Wagner Tiso, Luís Alves, Naná Vasconcellos e Fredera). A banda criada primeiramente para acompanhar o cantor e compositor Milton Nascimento no show "Milton Nascimento, ah, e o Som Imaginário". O grupo passou por várias mudanças de formação e lançou três discos. O disco - Matança do Porco, contou com os vocais de Milton.

Tavito se tornou nacionalmente conhecido pelos seus dois grandes sucessos: Rua Ramalhete (com Ney Azambuja) e Casa no Campo (com Zé Rodrix). Ele ganhou seu primeiro violão aos 13 anos. Autodidata, começou a participar de serenatas e festas. Foi companheiro de geração de Milton Nascimento e de outros músicos mineiros, tais como Toninho Horta, Tavinho Moura e Nelson Ângelo. Em 1965 conheceu Vinícius de Morais, que apreciou seu estilo e o convidou a participar de suas apresentações na capital mineira. Tavito produziu discos de: Marcos Valle, Renato Teixeira, Selma Reis e Sá & Guarabyra. Ele ficou sem realizar espetáculos entre 1992 e 2004, época em que se dedicou às composições, aos arranjos e à publicidade. Em 2009 lançou o CD - Tudo.

Há um bom tempo ele não ver com bons olhos o mercado musical e a carreira de músico como algo promissor. Tudo isso por conta da banalização da arte musical. “Eu próprio não vivo de música, e sim de publicidade. Com o lançamento de meu novo CD, é provável que isso mude. Mas nada é garantido”.

1-) Ritmo Melodia – Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

Tavito - Nasci no dia 26 de Janeiro de 1948, em Belo Horizonte - MG.

2-) RM – Fale do seu primeiro contato com a música?

Tavito - A música sempre fez parte da minha cabeça. Tenho uma rádio sintonizada todo o tempo, tocando nos meus miolos. Tenho lembranças musicais que remontam aos meus dois anos de idade.

3-) RM – Qual sua formação musical e\ou acadêmica (Teórica) ou outra formação?

Tavito - Na realidade, nenhuma eficaz. Estudei um ano de violão clássico com o genial mineiro Zé Martins. Mas minha formação é prática, quase que inteiramente. Fiz a UMA – Universidade Mineira de Arte – até o segundo ano. Meu curso era Desenho Industrial. Tranquei-o, óbvio.

4-) RM – Quais suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Tavito - Tive minhas primeiras informações válidas muito cedo, com a boa música clássica, que meu pai colecionava e ouvia diariamente; paralelamente, fui do céu ao inferno, ouvi muito Ivon Curi, Lana Bittencourt, Monsueto, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Almira Castilho, Maria Inês e sua gente, Caymmi, Adelaide Chiozzo, Emilinha Borba, Marlene, um rabicho de Carmem Miranda e tantos outros que não dá pra relacionar aqui. No internacional, ouvi muito Cole Porter, Frank Sinatra, Pat Boone, Paul Anka, Neil Sedaka, Tommy Sands, Rick Nelson, Bob Nelson e os rockers Little Richards, Elvis, Chuck Barry, Fats Domino, The Ventures.

Aí dois momentos piraram-me o cabeção, a saber: “Chega de Saudade”, o genial disco de João Gilberto, que me apresentava a Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Carlinhos Lyra e a Bossa Nova irresistível. Mais tarde, uma sessão de cinema que trazia, no jornal da tela, a chegada dos The Beatles a Nova York. Saí do cinema e comprei imediatamente o compacto “I want to hold your hand” e “She loves you”, pra nunca mais parar de ouvir. Esses são os fatos que modificaram o meu jeito de ouvir música. Mais tarde, conheci Milton Nascimento, que se tornaria uma terceira referência de muito significado. Não tenho preconceito contra nada, escuto de tudo, me interesso por todos os tipos de canção, sou fã de Guilherme Arantes, Flavinho Venturini, Lô Borges, Beto Guedes, Tavinho Moura e um magote de contemporâneos de boa cepa, Toninho Horta, Nelson Ângelo, Ivan Lins, João Bosco & Aldir Blanc, Maurício Maestro, Zé Renato, Eduardo Souto Neto, Marcos Valle. Trabalhei e convivi com a maioria de meus ídolos, e isso também gerou uma série de influências positivas em meu modo de ser e de pensar.

5-) RM – Quando, como e onde você começou sua carreira profissional?

Tavito - O poeta Vinícius de Moraes, no auge do sucesso com seus afros-sambas com Baden Power. Ele foi fazer um show em Belo Horizonte e hospedou-se na casa de um amigo, onde o conheci. Como o Baden Powell tinha uma série de impontualidades no currículo (o gajo se pelava de medo de avião), Vinícius, para se garantir, ensaiou o show comigo, que sabia todas as canções de cor, tiradas acorde a acorde, dos discos do próprio Baden, meu ídolo violonístico. Bom, Baden não apareceu – e eu fiz o show. Depois me transformei no acompanhante oficial do Vinícius em BH, cheguei a fazer uns cinco ou seis espetáculos com ele. Começou assim. Mais tarde, ele me convenceria a me mudar para o Rio.

6-) RM – Quantos CDs lançados com banda e solo? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram?

Tavito - Com o Som Imaginário, foram três discos. E solos foram quatro. E sem contar o novíssimo “TUDO” que está nas lojas há um mês e ainda não foi lançado oficialmente. Não saberia declinar sobre o perfil de cada um. Meu trabalho toma a verdade como princípio, não saberia compor e gravar canções que não retratassem fielmente a minha personalidade. Meus discos são parecidos, como irmãos. Minhas canções mais famosas são: Casa no Campo (com Zé Rodrix); Rua Ramalhete, Começo; Meio e Fim; Aquele Beijo (com Ney Azambuja), Naquele tempo (com M. Rocha / Renato Correa), Água e Luz (com Ricardo Magno) e mais o tema de futebol da Rede Globo, Coração Verde-Amarelo (com Aldir Blanc). E outras que me fogem agora; e dezenas, centenas de jingles que ficaram no imaginário popular.

Som Imaginário (1970)

Som Imaginário (Nova Estrela) (1971)

Matança do Porco (1973)



Solo

Tavito - 1980 - CBS

Tavito 2 - 1982 – CBS

Tavito - Número 3 - 1983 – CBS

Simpatia/Água e luz - 1984 - CBS (Compacto simples)

Tavito - Tudo - 2009

7-) RM – Como você define seu estilo musical?

Tavito - Não tenho um estilo definido. Faço de Rock a Bolero, passando pelo Samba, Calipso ou Maracatu. Agora, o que gravo em meus discos pode-se chamar de um Pop-brasuca-sem-pretensões-de-modificar-o-que-quer-que-seja...

8-) RM – Como é seu processo de compor?

Tavito - Como todo mundo, faço a música que recebo de meus anjos-compositores. Quando eles não vêm, trabalho sem escalas.

9-) RM – Quais são seus principais parceiros musicais?

Tavito - Zé Rodrix, Ney Azambuja, Ricardo Magno, M. Rocha, Renato Correa e Aldir Blanc.

10-) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical dentro de uma gravadora e de forma independente?

Tavito - Desenvolver qualquer tipo de carreira musical hoje em dia é FRIA (risco). Procurem outra coisa, meninos, pois só quem consegue ganhar dinheiro com música no Brasil são os que já têm dinheiro guardado no colchão ou nome pré-construído por feitos anteriores, seus ou de seus ascendentes. A Internet banalizou tudo e equalizou o que presta com o que não vale nada. A atenção das pessoas está tão dividida que só se consegue consumir muito superficialmente qualquer manifestação artística. O CD, nosso antigo produto, perdeu-se no processo. E tem muita gente que acha um absurdo pagar por direitos autorais, o que era constitucionalmente nossa única segurança. Não sei exatamente onde as coisas vão parar, mas sei que dificilmente será em bom lugar. O negócio hoje é fazer muitos shows, para garantir o rango na mesa. Eu próprio não vivo de música, e sim de publicidade. Com o lançamento de meu novo CD, é provável que isso mude. Mas nada é garantido.

11-) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Tavito - O cenário musical brasileiro é o retrato da confusão que se estabeleceu com o advento das novas mídias. A banalização da emoção e a enxurrada de novos desinformados que invadiu o mercado. Há incontáveis candidatos ao sucesso, e outros tantos chegam lá tão rapidamente que amanhã de manhã já lhes esquecemos o nome. Os grandes organismos de comunicação ignoram solenemente grande parte dos aspirantes à fama. Não poderia ser de outro modo, são milhões que se renovam diariamente como gafanhotos. E escolhem a esmo (ou não) alguns eleitos que não sabem bem o que fazer para não ser cruelmente descartados, em poucas semanas. Muito raramente se detecta algo com alguma consistência nesse processo. No geral, a música está vivendo um período de irrelevância total. É o que o meu compadre Zé Rodrix dizia, com toda propriedade: estamos vivendo o tempo da música em vão. Não se consegue interesse do ouvinte de hoje com o que está aí. É evidente que, em meio a isso tudo, há destaques de talento legítimo, que podem variar do sertanejo à MPB, passando pelo axé e pelo rock. Mas esses mesmos ainda correm riscos sérios nas mãos do novo ouvinte. Essa nova classe de escutadores que não se detêm nem para ouvir um CD inteiro, tal a ansiedade. Mas não se enganem: gosto muito de muita coisa nova. Escutem o grupo Cinco a Seco. Escutem Barbara Rodrix. Escutem Sonekka. Escutem o Grupo Tarumã. Escutem Julia Ribas. Procurem por personalidade e verdade, que encontrarão material à farta. Se esses caras farão sucesso? Não sei – e ninguém sabe.

12-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Tavito - Os que estão aí oriundos de outros tempos só o conseguiram por terem talento indiscutível e serem profissionais completos. A “Era Tim Maia” passou.

13-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Tavito - Pretendo escrever um livro sobre esse tópico em especial. São tantas situações esquerdas pelas quais um músico com o meu tempo de estrada já passou no decorrer da vida, que não cabem nesse exíguo espaço.

14-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Tavito - Feliz: ouvir minha canção ser cantada pelas platéias. Triste: a falta de chances de mostrar um bom trabalho.

15-) RM – Você acredita que suas atuais músicas tocarão nas rádios sem o jabá?

Tavito - Sinceramente, não sei; é uma questão difícil, mas não impossível.

16-) RM – Para você o sonho da sua geração a acabou, não acabou, se perdeu ou se transmutou?

Tavito - O sonho não morre jamais, quando ele é forte o suficiente para desafiar as teias de aranha do estabelecido. O sonho de minha geração é o sonho dos homens de bem, que dão valor à verdade, à paz, ao amor sem medidas. Sonhos como esse fazem parte da história da humanidade, e martelarão as consciências até que se desutopizem e se tornem valor real.

17-) RM – O que ainda lhe dá orgulho na sua geração e o que lhe envergonha?

Tavito - Não tenho vergonha de coisa alguma. Minha geração é culturalmente privilegiada, e que soube distribuir esse privilégio no muito que realizou. A maior herança de minha geração é o pensamento. As drogas que tomamos tinham uma conotação completamente diferente da de hoje, quando se mantém com a droga uma relação marginal e castradora da mente criativa.

18-) RM - O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Tavito - Vá fazer outra coisa, meu jovem.

19-) RM – Você lança um novo CD com o entusiasmo das primeiras crias? O que muda lançar um CD depois de anos de estrada musical?

Tavito - Sou um eterno entusiasmado com o processo de criação. A distância de discos passados traz vantagens, mas os mais velhos também são mais impacientes com besteiras de ocasião, que são muito presentes em processos criativos.

20-) RM – Fale da sua relação pessoal e profissional com Zé Rodrix e a importância da obra e do artista Rodrix para cultura musical brasileira?

Tavito - O Zé Rodrix foi um irmão que perdi. Um amigo de vida inteira que deixou um legado inestimável em pensamentos e obras. Sua coerência faz muita falta em meus momentos de dúvida. O Brasil perdeu uma referência importantíssima.

21-) RM – Quais os projetos futuros?

Tavito - Continuar vivendo e produzindo, com saúde e alegria, sempre.

Contato: http://www.tavito.com.br/
ritmomelodia@hotmail.com
http://www.ritmomelodia.mus.br/

sábado, 11 de abril de 2009

TAVITO no Programa do Ronnie Von



Filme: Monika Mendonça




Som Imaginário: Zé Rodrix, Tavito, Wagner Tiso, Fredera, Robertinho Silva e Luiz Alves


Tavito estará no Programa do Ronnie Von, na TV GAZETA, terça, dia 14, às 22 hrs.
E não estará só: seu companheiro de SOM IMAGINÁRIO e Clube da Esquina, Wagner Tiso , será o outro convidado para esse programa show que promete grandes momentos musicais!!!


Wagner Tiso através das lentes do Tavito

Fotos: Acervo Tavito

sábado, 28 de março de 2009

TEMPO DA DELICADEZA



Por TONINHO SPESSOTO ( Jornalista, radialista, crítico e produtor musical)




Tavito é um dos compositores mais preciosos que temos. Com sua sensibilidade incomum, fala diretamente ao coração através de canções ternas, que remetem a grandes amores e deliciosas recordações. Tudo é seu quarto disco - produção independente distribuída pela Tratore - e sai após 25 anos do lançamento de Tavito 3. Nesse tempo, o cantor e compositor mineiro trabalhou com publicidade, produziu muita gente boa e jamais parou de compor.



O novo álbum é um retrato da produção atual de Tavito. O repertório traz delícias como a nostálgica 1969 (O Beijo do Tempo), parceria com o poeta e jornalista pernambucano Gilvandro Filho e que tem no arranjo um quê de George Harrison, a belíssima toada Embora, de Tavito e Alexandre Lemos, notável compositor carioca (eles assinam também Tudo, a faixa título), o rock Uma Banda Em Sampa, com o antigo parceiro Rocknaldo, a balada O Primeiro Sinal, de Tavito e Ney Azambuja (parceiros no clássico Rua Ramalhete) e a toada As Meninas (Tavito/Elder Braga). A cantora Clarisse Grova faz participação especial em Minas de Encanto (Tavito) e Aquele Beijo (Tavito/Ney Azambuja).



Há belas releituras de Aquele Beijo, gravada pelo músico no LP Tavito 2, de 1982, Hoje Ainda é Dia de Rock (Zé Rodrix), lançada pelo trio Sá, Rodrix & Guarabyra no álbum Passado, Presente, Futuro, de 1972, e de Rua Ramalhete, do disco de estréia de Tavito, autointitulado, de 1980. Nesse caso, foram regravados alguns instrumentos, mas a voz do artista foi tirada do registro original. Disco belíssimo, tratado de lirismo e leveza.




TAVITO no PONTAPÉ INICIAL ( ESPN)

Tavito foi o convidado especial do programa esportivo da ESPN PONTAPÉ INICIAL, ontem ( dia 27/3 às 7 hrs e reapresentação à meia noite). O programa sempre conta com a participação de um cantor e queridíssimo Tavito foi divulgar o CD TUDO.
Falou-se sobre o início da carreira de Tavito no "Som Imaginário", mostrando um vídeo da época com imagens, inclusive, do Zé Rodrix!

Tavito, Fredera e Zé Rodrix em evento recente em SP : Som Imaginário


Tavito falou sobre o legado dos mineiros para a MPB que ainda surte efeitos na música de hoje, e acabaram citando o Clube Caiubi e a Segunda Autoral. O senão é que Tavito, estava muito gripado, cheio de tosse, e não conseguiu cantar muito, e o público pedindo música pela Internet!!!

Colaboração: Maisa Dillem

segunda-feira, 16 de março de 2009

Tudo de Tavito exala a nostalgia de tempos idos - Mauro Ferreira

Parceiro de Zé Rodrix em Casa de Campo, a canção de 1971 que expressou na bela letra a ideologia de paz & amor da geração hippie, Luís Otávio de Melo Carvalho - o Tavito, integrante do grupo Som Imaginário - foi um garoto que amou os Beatles nas esquinas mineiras de Belo Horizonte (MG), cidade onde nasceu e morou até migrar para o Rio de Janeiro (RJ) em 1968.
Essa descoberta do pop e da juventude marcou para sempre sua obra. Sua obra-prima Rua Ramalhete, lançada em seu primeiro LP (Tavito, 1979), já exalava a nostalgia de sua modernidade. Não por acaso, a música fecha o quinto álbum do artista, Tudo, numa versão reloaded que está em sintonia com o espírito saudosista dos tempos idos. As duas melhores músicas do irregular repertório - 1969 (O Beijo do Tempo) e O Dia em que Nasceu Nosso Amor - abrem o CD nesse tom nostálgico que pontua o trabalho. Entre saudação às Geraes (Minas de Encanto, com intervenção vocal da cantora Clarisse Grova) e regravação de Hoje Ainda É Dia de Rock (tema de Zé Rodrix lançado pelo trio Sá, Rodrix & Guarabyra), Tudo reergue a ponte pop que sempre ligou Liverpool a Belo Horizonte. Contudo, Uma Banda em Sampa celebra São Paulo com sonoridade que remete à pueril Jovem Guarda. Há algum lampejo de inspiração melódica em canções como Aquele Beijo e, embora nem tudo soe à altura da produção áurea do artista, o CD é bem-vindo por quebrar o silêncio de Tavito, que se desviou do trilho principal do mercado fonográfico em 1984, muito desiludido com o descaso da gravadora então intitulada CBS com a promoção do compacto que lançara naquele ano. Dessa fase, Tavito não tem a menor nostalgia.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Tarik de Souza entrevista TAVITO

Após longo recesso, compositor e cantor mineiro Tavito ressurge em CD
Tárik de Souza, Jornal do Brasil

Após um longo recesso fonográfico, o compositor e cantor mineiro Tavito (Luis Otávio de Mello Carvalho) ressurge com o CD Tudo (Tavmusic) e prepara-se para voltar aos shows.
Por que ficou tanto tempo sem discos solo?

- Bem, meu último compacto simples (lembra disso? faz tempo...) foi lançado pela CBS, em 1984, há exatos 25 anos. Tinha duas canções de que gosto muito, Simpatia (Tavito/R.Magno) e A nossa casa (Tavito/Eduardo Souto Neto). Como nenhuma das duas emplacou na mídia, a gravadora se desinteressou por mim, e eu, naturalmente, por ela. Foi quando resolvi partir para pequenos e médios shows por aí, enquanto trabalhava compulsivamente em minha produtora de jingles. Em 1992, por questões particulares, abandonei também os shows. Fiquei 11 anos praticamente sem pegar no violão. Somente em 2003 retornei ao palco, convidado pelo amigo mineiro Affonsinho para uma participação em seu show, em Belo Horizonte, e me surpreendo ao arrancar lágrimas da platéia que superlotava o teatro.

Quais os ingredientes para confeccionar pérolas pop duráveis como Casa no campo (com Zé Rodrix) e Rua Ramalhete (com Ney Azambuja)?

- Essas duas canções tocam bordões universais do ser humano. Todo mundo, sem exceção, experimentou seu primeiro arrepio amoroso na adolescência, sua primeira canção a dois, seus primeiros contatos com o corpo e a alma de alguém. Como também todos querem paz, sossêgo, sensações benfazejas de segurança por meio de seus amigos e objetos de afeto. A Casa no campo simboliza a famosa paz interior tão almejada. E a Rua Ramalhete (que existe mesmo) é apenas um lugar, numa determinada época, onde a intensidade dos hormônios juvenis borbulhava, delicada e indomável.

Como situa seu novo disco dentro da miscigenação da música atual?

- O nome desse CD, Tudo, diz bem o que ele representa. Sou um cara bastante experiente em mudanças filosóficas, técnicas e estéticas na música do mundo nos últimos anos. Escutei e fui formado por absolutamente tudo que há para escutar nesse tempo de confusões e sobressaltos. O que se usa hoje, as fusões, os mixes rítmicos, a pesada percuteria, a eletrônica, fruto de muita tecnologia e alguma criatividade, tem seu sucesso diretamente ligado às condições atuais de percepção da grande massa jovem brasileira, que é diferente, muito diferente de seus pais e avós. A minha proposta de trabalho, hoje, é a de usar as influências e o pensamento de muitos anos de produção musical para cobrir uma demanda que sinto existir entre os jovens: a da fruição de uma música bonita, simples e que dê um recado atual, rigoroso e intransigente sobre escolhas e objetivos, do bem absoluto ao amor irrestrito. Além de espernear com humor contra essa viscosa derrocada ética que nos assola. Acho que é um “pop varejeiro”, ou coisa que o valha.

Jornal do Brasil / RJ
19:03 - 12/03/2009

quarta-feira, 11 de março de 2009

TUDO no Estado de Minas

TERÇA, 10/03/2009
Canções que a gente quer ouvir
Depois de ficar 25 anos sem lançar disco, Tavito, autor de Casa no campo e Rua Ramalhete, está de volta com o CD Tudo, com antigos sucessos e novas parcerias
Eduardo Tristão Girão

Roberto Soares Gomes/Divulgaçã o



"Estou ficando velho, mas meu espírito é muito jovem. Não me sinto com a idade que tenho, sou lépido" - Tavito, cantor e compositor


O cantor e compositor belo-horizontino Tavito tinha tudo para continuar na penumbra artística. Fora de Minas desde 1968, despontou ao lado de Milton Nascimento com o grupo Som Imaginário e tornou-se bem-sucedido criador publicitário, sua principal atividade até hoje. Seu último trabalho, Simpatia, um compacto lançado pela CBS em 1984, fracassou nas vendas, bem como seus dois discos anteriores. Shows também minguaram. Finalmente, parou de se apresentar, abalado pela morte do irmão, em 1991. Mas o destino não quis que fosse assim. Há seis anos, retornou aos palcos durante participação num show de Affonsinho na capital mineira e flagrou lágrimas de emoção na plateia. Resolveu voltar ao estúdio – desta vez para ser gravado – e acaba de lançar Tudo, seu primeiro disco em 25 anos. “Estou ficando velho, mas meu espírito é muito jovem. Não me sinto com a idade que tenho, sou lépido. Por estar habituado a ser jovem, me esqueci de como eu era quando jovem. Fiz uma catarse, uma leitura de mim mesmo, e descobri uma coisa muito interessante. Muita gente chama de evolução uma coisa que não é evolução. Fico pensando, musicalmente, no que foi que eu evoluí. Na realidade, meus conceitos são os mesmos. O produto que vendo agora é o mesmo de 1979. Prega as mesmas coisas, o amor sempre absoluto e irrestrito. Basta prestar atenção às letras. Também prega o saudosismo, pois já era saudosista naquela época. Não mudei nada”, garante. Tudo é composto por 14 faixas, sendo a maioria inédita. O álbum começa com 1969 (O beijo do tempo), canção que expõe o espírito saudosista de Tavito com referências musicais a Purple haze (Jimi Hendrix) e My sweet lord (George Harrison), colorindo versos como “Havia, eu sei, uma fumaça a nos fazer sonhar/ Havia a lei: a gente era livre para se amar/ Havia luz pois era tempo de iluminar”. A música foi escrita com Gilvandro Filho, um dos muitos parceiros que assinam novas faixas no disco. Com Luiz Carlos Sá fez O dia em que nasceu o nosso amor e A grande sorte; Alexandre Lemos divide com ele Embora e a faixa-título; e o novo parceiro Rocknaldo marca presença em Uma banda em Sampa e Um certo filme. Ney Azambuja, co-autor de Rua Ramalhete (última do disco, em versão “reloaded”), um dos maiores sucessos de Tavito, ressurge na também inédita O primeiro sinal, além da regravação de Aquele beijo. “Todas as músicas foram feitas a partir de 1992, à exceção de Rua Ramalhete e Aquele beijo, que fiz para minha mulher, Celina, que está comigo há quase 30 anos. Fiz um arranjo para o Roupa Nova, mas resolvi gravá-la da maneira como eu a toco no meu show”, explica. Do amigo e parceiro Zé Rodrix gravou o sucesso Hoje ainda é dia de rock. “Fiz músicas com ele, mas acabaram não entrando no disco. As fronteiras do amor é uma balada linda e triste, mas ficou de fora, pois eu queria um disco animado, alegre. Amor e foguetes é outra”, conta.

E por que, afinal, o artista demorou tanto tempo para lançar um disco novo? “Não ia mais gravar. Arrumei outro veio na vida, o da propaganda. Resolvi fazer esse disco a partir daquele show em Belo Horizonte. Vi a água correndo na cara das pessoas e senti que precisava reavaliar o poder das coisas que eu fazia. Era uma força que eu sabia que tinha há muito tempo, mas não agora. Estava totalmente sumido da mídia. Nesse período fiz músicas que tocaram em novela, mas ninguém sabia”, lembra. Sem vínculos com gravadoras, começou a trabalhar no novo projeto aos poucos. Partiu de um universo de 50 novas canções. Mesmo tanto tempo longe dos holofotes, Tavito garante não ter parado de compor. “Quando eu não gravo, alguém me grava. Só sei escrever e fazer música”, diz. As vendagens insatisfatórias de seus discos, lançados entre o final dos anos 1970 e o início dos 1980, é claro, contribuíram para que o artista sumisse: “Nessa época, estava muito perdido. Não queria ficar na publicidade, mas não queria que as coisas fossem como eram. A CBS não me deu a atenção que eu achava que deveria ter. Hoje nem acho mais isso. Penso completamente diferente. Mas na época me desencantei e resolvi dar uma parada”. Tavito conta que, desde a morte do irmão, ficou 12 anos sem tocar violão, “só compondo e mexendo com teclado e estúdio”, lembra. “Antigamente, eu tinha proposta de instrumentista que hoje não tenho mais. Hoje, toco o que sei tocar e acho legal assim. Antigamente, algumas revistas diziam que eu era o melhor violonista do Brasil. Mentira. Tocava violão de 12 cordas e tive notoriedade porque fui dos poucos, na década de 1970, que tocava esse instrumento. Só havia eu para ser chamado para as gravações. Mas naquela época do Som Imaginário, do Clube da Esquina, era meio craque, tocava razoavelmente bem”, diverte-se. Na estrada Apesar de se dizer musicalmente o mesmo, o artista não tem dúvida de que o novo álbum inaugura nova fase em sua carreira.

Para divulgar o trabalho, já programou shows de lançamento em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que provavelmente serão realizados mês que vem. “Estou com saudades da estrada. Tenho feito shows em São Paulo, Brasília, Recife, Fortaleza. Apresento-me sozinho ou com Zé Rodrix. O show que faço com ele é muito bacana. Ele é meu parceiro em Casa no campo. Tem muitas histórias, piadas, conversas”. As sobras de estúdio, adianta, deverão dar origem ao seu próximo disco. “Gosto muito de compor. Aliás, é a única coisa que sei fazer. Sou um cara novo, penso novo”, conclui.--

O Globo ( Rio de Janeiro)

O Globo - RJ

dia 3/3/2009
 
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